As Reservas do Brasil estão também preocupadas com a exploração desenfreada de recursos do planeta. As conseqüências desse problema deverão ser sentidas ainda mais cedo do que os desdobramentos provocados pelo processo de aquecimento da Terra.

A Mata Atlântica não só pode contribuir para a redução dos perigos representados pelo aquecimento como também oferecer soluções para um outro problema que a humanidade já está correndo e não deu ainda a devida atenção. Hoje, 18% da população do planeta já enfrenta a escassez de água e uma parcela ainda maior está passando fome.

Para atacar ambos os problemas, as Reservas do Brasil estão realizando parcerias com diversas organizações, a fim de desenvolver projetos de produção sustentada de insumos florestais.

O empreendimento visa a sustentabilidade  das propriedades particulares que compõem 70% da atual área da floresta e a inclusão social das pessoas que habitam os entornos. A iniciativa também mira a manutenção dos fatores que garantem, entre outros benefícios, o clima e o abastecimento de água para a maior parcela da população brasileira.

Riquezas

Apesar de sua área original se apresentar hoje devastada em mais de 90%, os atuais remanescentes de Mata Atlântica apresentam inúmeras possibilidades para a conservação de sua biodiversidade, além de alternativas de desenvolvimento sustentado, educação ambiental e lazer.

A floresta mantém ainda um riquíssimo campo de pesquisas científicas voltadas para novos produtos medicinais, aromáticos e ornamentais.

Projetos de produção sustentada podem recuperar e preservar imponentes árvores nativas da região, tal como o impressionante Jequitibá-rosa, de 40 metros de altura e 4 metros de diâmetro. Entre outras espécies, destacam-se a Copaíba, Cedro, Gerivá, Figueiras, Ipê, Braúna, Pau-Brasil, Jatobás, Angico-Branco, Palmito-Juçara, Brejaúva e Indaiá, além de várias outras.

Para se ter uma idéia dessa riqueza da Mata Atlântica, basta citar uma pesquisa feita por técnicos do Jardim Botânico de Nova Iorque na década de 90 na região da Reserva Biológica de Una, no sul da Bahia. Eles identificaram no local a maior diversidade de árvores do mundo, com 450 espécies diferentes num só hectare de floresta.

O manejo desta rica fauna beneficiaria ainda um sem número de animais, insetos e microorganismos, com destaque para 202 espécies ameaçadas de extinção tais como Mico-leão, Lontra, Onça-Pintada, Tatu-Canastra, Papagaio da Cara Roxa, Muriqui, etc.

 

Os mananciais da Mata Atlântica abastecem com água a maior parte das
cidades e regiões metropolitanas do país